1º Período “2.0” – Um olhar

Introdução

Devido a condicionalismos vários, no ano lectivo anterior não me foi possível implementar, na prática lectiva, algumas ideias que foram surgindo, principalmente as que se relacionam com a introdução de ferramentas com características Web 2.0. Este ano, com outras condições, decidi adoptar algumas estratégias que fossem incluindo, progressivamente, essas ferramentas.

A existência de computadores portáteis em número suficiente para os alunos das minhas turmas, projectores e quadros interactivos, a cobertura sem fios de todo o “campus” escolar e a possibilidade de utilizar um LMS (Moodle), garantiram-me as condições físicas necessárias para que as estratégias que incluíssem ferramentas tecnológicas dependessem, quase exclusivamente, do meu trabalho, dos alunos e de algumas outras condicionantes “não físicas”.

Visto este ano leccionar 3 disciplinas diferentes – Biologia 12º, Biologia e Geologia 10º e Ciências Naturais 8º – para além de actividades não lectivas bastante “absorventes”, não dispunha do tempo necessário para poder aplicar este tipo de estratégias a todas as disciplinas, pelo que optei por fazê-lo nas turmas do ensino secundário. Dada a impossibilidade de todos os alunos terem acesso à Internet a partir de casa (embora com surpresa minha, foi um pequeno número a indicar não poder fazê-lo) defini como premissa essencial que todas as actividades obrigatórias que necessitassem desse acesso só poderiam decorrer no espaço aula. Para esse fim, as aulas de 135 minutos não ocupadas com actividades experimentais revelaram-se fundamentais.

Descrição

A opção inicial foi centrar a actividade no espaço da disciplina na plataforma Moodle, disponibilizando a informação, as ligações e materiais relacionados com todas as aulas. A plataforma seria, assim, a ferramenta central da organização de apoio à disciplina.
Os sumários de todas as aulas foram aí disponibilizados (quase sempre com antecedência), bem como todos os materiais (ppt, links, acetatos, flash, instruções para actividades, conceptogramas, etc.) utilizados nas aulas.
Recorrendo à actividade “wiki” da plataforma foi proposta a elaboração colaborativa de um documento de regras de netiqueta que preparasse os alunos para interacção que se seguiria. Ainda na plataforma foram criados fóruns para discussão de assuntos das disciplinas e fóruns lúdicos e foi proposta a construção de um glossário de termos da disciplina a construir colaborativamente e ao longo de todo o ano. Pontualmente disponibilizei alguns exercícios de auto-avaliação em hotpotatoes ou utilizando as ferramentas do Moodle.

Paralelamente às actividades na plataforma foram criados blogues para cada um dos grupos de trabalho definidos no início do ano. Com o recurso a esta ferramenta pretendia que os alunos dessem alguma visibilidade aos seus trabalhos e interagissem com os restantes membros da comunidade escolar (encarregados de educação, p. ex.), ou mesmo outros fora desta. Seria uma espécie de portefólio digital, onde eram divulgados os trabalhos da disciplina. Os interessados poderão visitar o blogue de um dos grupos aqui.

A versatilidade dos blogues, permitindo incluir diferentes tipos de media e de serviços, fazem deles ferramentas poderosas para este tipo de actividade. Por isso, foi possível recorrer a outras ferramentas como por exemplo o slideshare, o youtube e o mindmeister e fazer a sua integração com o blogue.

Um olhar

Parece-me importante fazer, neste momento, uma pequena avaliação dos resultados da implementação destas estratégias, baseada apenas na minha “percepção” e no feedback fornecido pelos alunos e alguns colegas, não esquecendo todos os condicionalismos associados aos currículos, à organização das escolas e às características dos alunos.

De uma forma geral e sem fazer a distinção entre a turma de 10º ano e a de 12º ano, considero como indicadores positivos os seguintes aspectos:

  • O entusiasmo global colocado na realização das tarefas;
  • A maior participação da globalidade dos alunos;
  • As competências desenvolvidas de pesquisa na web;
  • A integração “harmoniosa” de diferentes formatos no mesmo trabalho (post);
  • A facilidade de utilização de ferramentas “novas” pelos alunos;
  • O “orgulho” que os alunos revelam pelos seus trabalhos.

A utilização destas estratégias, não foi por si só, um factor de sucesso, havendo alguns aspectos a merecerem alguma atenção futura. Os que parecem mais importantes são os seguintes:

  • A falta de referência às fontes de origem de informação;
  • As dificuldades reveladas na selecção da informação;
  • A falta de “tratamento” de alguma da informação seleccionada;
  • Alguma dispersão por outras actividades paralelas, principalmente nos alunos mais novos (10º ano);
  • A fraca participação nos fóruns pelos alunos mais velhos (12º ano);
  • A “distinção” que resulta das conversas de grupos de alunos que acedem e participam diariamente nalgumas ferramentas e aqueles que o não podem fazer (principalmente no 10º ano).

Como este post já vai longo, deixo apenas estes indicadores. Procurarei, brevemente, fazer uma reflexão sobre eles, especificando, também, algumas das actividades realizadas e a realizar.
Comentários são bem-vindos.

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3 Respostas

  1. […] miguel ribeiro Escrevo este post manifestando uma preocupação a que já havia feito referência anteriormente. Esta preocupação prende-se com a forma como os alunos utilizam a internet como fonte […]

  2. Segui um percurso semelhante nas diversas disciplinas de que sou docente, onde também o Moodle é a nossa plataforma de gestão de ensino.

    Numa das disciplinas – 3º ano – todo o trabalho de cada grupo implicava utilização de ferramentas Web 2.0, desde utilização de wikis para gestão do trabalho colaborativo, criação de blogue sobre um determinado tema , até ferramentas para gerir a informação e as pesquisas (RSS, del.icio.us, netvibes, google alerts, etc).

    Noutra disciplina – 2º ano – apenas foi usado o Moodle e o Google Page Creator.

    Em ambas usei intensamente os fóruns para discussão de temas.

    Notei uma diferença que considerei fundamental: no 3º ano, com o hábito enraizado de utilização de ferramentas na Web, a participação nos fóruns foi muito mais participativa do que no outro caso.

    Penso que a habituação a este tipo de ferramentas leva a que os alunos se sintam mais à vontade em emitir a sua opinião.

    Por outro lado, a utilização de blogues incentiva à pesquisa constante.

  3. […] A utilização deste tipo de ferramentas nas aulas das minhas disciplinas iniciou-se no ano anterior e continuou neste ano. A experiência realizada no ano passado, permitiu-me definir um plano de […]

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