Programa de Apoio e Tutoria Online (PATO)

O Programa de Apoio e Tutoria Online é um projecto que visa a criação de um serviço de apoio pedagógico online para alunos do ensino secundário.  O projecto inclui sessões síncronas de apoio pedagógico, sustentadas por software de web conferência e actividades assíncronas através de ferramentas incluídas em portal criado para o efeito.
Esta apresentação foi utilizada na inauguração do Centro Tecnológico em Educação e resume os principais aspectos do projecto.
Espero apresentar algumas novidades em breve.

Experiência com o Prezi

O Prezi é um serviço que permite realizar apresentações. Funciona de forma bastante diferente do PowerPoint ou do Keynote, visto que não recorre a sequências de slides, mas apenas a uma tela onde os diferentes níveis de zoom nos podem levar por diferentes “planos”, mostrando pormenores num plano mais próximo ou dando uma ideia do global em planos mais afastados e ligando-os de forma dinâmica. É fácil de utilizar e pode funcionar online ou offline.

Há já algum tempo que tinha conhecido o Prezi, mas ainda não tinha oportunidade de o experimentar. Recentemente, ao preparar materiais para uma aula de 10º ano sobre “sistemas de transporte nos animais” decidi fazer uma pequena experiência. Como é muito fácil e intuitivo, o tempo gasto não foi muito. O mais difícil é idealizar a “metáfora” para a apresentação. Neste caso, limitei-me a colocar os conteúdos de forma simples atractiva e ligá-los na sequência que pretendia para a aula. No showcase existem apresentações muito interessantes que podem servir de inspiração ou mesmo de base para as nossas apresentações.

Como não consigo fazer o “embed” do ficheiro em flash aqui no Verde Vivo, fica um screenshot com o link para o Prezi. A propósito de flash, o Prezi permite incluir ficheiros flash (.swf) o que também é uma grande vantagem, pelo menos para as minhas aulas de Biologia e Geologia, onde esses ficheiros são recursos importantes.

Aula 2.0, Versão Beta – Ferramentas web 2.0 no ensino

Este foi o tema da apresentação que levei ao eLearnig Day 08, do CITEVE, em Famalicão. Como referi no post anterior, a ideia era partilhar um pouco do que tenho feito, sem pretensões de apresentar modelos, mas apenas experiências. A utilização deste tipo de ferramentas nas aulas das minhas disciplinas iniciou-se no ano anterior e continuou neste ano. A experiência realizada no ano passado, permitiu-me definir um plano de actuação mais coordenado para o presente ano lectivo (ver esquema nos slides). Centrei a actividade principal numa comunidade a que chamámos “B de Biologia”, no Ning, substituindo os blogues de grupos do ano anterior. A comunidade passou a ser o espaço fundamental de interacção entre os diferentes membros da turma (e, eventualmente, de fora dela). Para já parece estar tudo a correr como planeado. A comunidade tem-se revelado dinâmica com as diferentes formas de comunicação que se foram estabelecendo e com a incorporação dos trabalhos realizados noutras ferramentas, partilhando-os com toda a comunidade.

Slides da apresentação:

Voltemos à comunicação no eLearning Day e à sua explicação. Para passar a “mensagem” de uma forma mais agradável criei uma metáfora em que a “aula 2.0, versão beta” vinha dentro de uma pequena caixa “mágica”. Para perceber esta metáfora é fundamental visualizar o vídeo feito pelos meus alunos que incluo neste post mas ao qual vou dedicar um outro post.
Na parte inicial da apresentação procurei enquadrar e justificar a utilização das ferramentas Web 2.0 nas aulas das minhas disciplinas. Posteriormente apresentei um esquema da organização da “aula 2.0” que penso transmitir, de forma fácil, a estratégia global de actuação, e passei, então, às fichas da nossa caixa que correspondiam a exemplos de actividades realizadas. Aqui optei separá-las por actividades e não por ferramentas, visto que deverá ser a definição das actividades a condicionar as ferramentas a seleccionar (o que não exclui a possibilidade e/ou necessidade de haver, também, uma adequação das primeiras às segundas).
Depois de apresentados os exemplos, o vídeo apresenta o olhar dos alunos sobre a “aula 2.0”.
Algumas considerações minhas, resultantes da minha observação do trabalho deles e não de uma avaliação formal (a realizar no final do ano lectivo) , constituem o “meu olhar”.
Por último explico o porquê da versão beta, concluindo que talvez ainda se trate de uma versão alfa. 🙂

O vídeo:

Nota: Já me esquecia de referir que a música do vídeo é original e foi composta pelo André. 🙂

Mais mundos virtuais!

Na sequência de post anterior e agora com interesse acrescido devido ao tema da dissertação de mestrado, trago aqui outro mundo virtual. Desta vez uma ferramenta open source que, pelo menos neste primeiro contacto, me parece poder ter um potencial educativo bastante interessante.

Ideias progressistas… nos anos 40

Um vídeo muito interessante! Descubra as diferenças…

Copy… Paste

Escrevo este post manifestando uma preocupação a que já havia feito referência anteriormente. Esta preocupação prende-se com a forma como os alunos utilizam a internet como fonte bibliográfica para a realização dos trabalhos das diferentes disciplinas.

A internet como fonte deve ser encorajada. No entanto, é necessário transmitir a ideia que estamos a utilizar algo que alguém publicou, seja uma imagem, um texto, um vídeo, uma animação. Quer isto dizer que podemos utilizar o que está publicado (se o tipo de licença o não impedir), desde que façamos referência à fonte e que não o tomemos como nosso.

Na minha prática de leccionação tenho vindo a constatar a existência deste tipo de comportamento de uma forma cada vez mais generalizada e o que me parece mais grave, ainda, é o facto dos alunos não terem a noção de que se estão a apropriar de algo que não é deles. Para eles, a selecção dos materiais dos diferentes sites Web e a “transferência” para os seus trabalhos (sejam eles em formato digital ou papel) é uma actividade tão banal que não lhes parece conter qualquer tipo de ilegalidade (nem que seja do ponto de vista moral). E o comportamento está tão enrizado que, mesmo após ter tentado transmitir a ideia de que está errado, continuo a detectar alguns casos, nos trabalhos que lhes mando fazer.

Muitas vezes, e referindo-me ao nível do ensino secundário, a detecção é fácil, visto que o texto nem sequer é tratado e continua em português do Brasil, exactamente como na fonte. Outras vezes, depois de uma chamada de atenção para a necessidade de citar sempre as fontes, os alunos sentem necessidade em voltar a pesquisar tudo de novo 8com a perda de tempo que acarreta), visto não terem feito qualquer anotação sobre o endereço.

A minha análise sobre este assunto leva-me a considerar que, pelo menos ao nível do 3º ciclo do ensino básico e do secundário, não deveremos falar em plágio, na medida em que este implica uma acção intencional e consciente, o que não me parece acontecer com estes alunos. Chamemos-lhe, assim, “copy… paste” que julgo ser um rótulo que retrata bem este tipo de comportamentos.
O jornal Público de domingo passado (dia 27/01/08), fazia destaque deste assunto. A leitura do artigo permitiu-me ter consciência do tamanho do fenómeno que julgava circunscrito aos níveis mais baixos de ensino. Segundo o “Público” o problema afecta, também, o ensino superior, com a agravante de, a este nível, podermos considerar que existe intencionalidade no comportamento, chegando mesmo à encomenda e compra de trabalhos nalguns sites que já se dedicam exclusivamente a esta actividade. Preocupante!

Para finalizar, parece-me importante que comecemos a pensar que, a introdução das tecnologias da informação no ensino, desde os níveis mais baixos, deve ser acompanhada com uma preocupação em transmitir as questões que se relacionam com os direitos de autor e, com isso, a que normas deve obedecer a utilização da informação seleccionada em todos os meios (e não so no papel).

Escolas, exames, currículos e outras dificuldades…

Nos últimos tempos tem surgido algum entusiasmo e um optimismo acentuado com a introdução das tecnologias nas actividades escolares e em particular nas práticas lectivas. As escolas têm vindo a ser equipadas com materiais e equipamentos tecnológicos capazes de fornecer aos professores as ferramentas necessárias para alterarem as suas práticas lectivas e criarem ambientes digitais propícios à imersão dos alunos nas aprendizagens, aproveitando, desta forma, o ambiente de comunicação típico destes “nativos digitais”. A escrita revela um tom crítico? Não! Pelo menos não há essa intenção! Antes pelo contrário. Eu sou dos que acreditam que as tecnologias têm de estar obrigatoriamente na sala de aula, como estão em quase todos os ambientes de comunicação destes jovens. O que me leva a escrever estas linhas são algumas reflexões que resultam da utilização das tecnologias na minha prática lectiva.

Para enquadrar essas reflexões gostaria de fazer uma pequena retrospectiva do que tem sido a minha relação com estas “máquinas”. Devo dizer que só tardiamente, já na universidade, iniciei uma relação próxima com elas. Embora tardia, foi uma relação que começou ténue mas que se foi tornando cada vez mais forte até esta “quase dependência”. Profissionalmente, essa apetência foi-se manifestando na vontade de me manter informado sobre as novidades tecnológicas e principalmente na possibilidade de as utilizar com objectivos pedagógicos. Hoje, olhando, criticamente, um pouco para trás, considero que a maior parte das estratégias que defini e segui constituem elementos isolados, capaz de acrescentar valor à leccionação, mas que, se somados, não constituem uma alteração ao modelo de leccionação. Para tentar esclarecer este aspecto vou referir-me a algumas situações em concreto. Considero que o suporte visual é fundamental numa disciplina como Biologia (muitos dos objectos de estudo são invisíveis à vista desarmada, os mecanismos complexos são representados esquematicamente, etc…) e, por isso, procuro ter sempre esse suporte. No início, resolvia esse problema utilizando um (agora) banal scanner, digitalizando imagens e organizando-as num acetato e… voilá: o suporte visual à minha explicação ou à actividade. Algum tempo passou e começam a surgir os primeiros projectores multimédia nas escolas. O salto é o óbvio: do acetato para o PowerPoint; da imagem estática para a animação; do filme na TV para o filme na tela branca… E o modelo mudou? Pouco ou nada! Outras mudanças foram ocorrendo: da pesquisa bibliográfica para a pesquisa na web; do jogo didáctico em suporte papel para o suporte digital; dos relatórios e trabalhos manuscritos aos relatórios e trabalhos digitais; da divulgação de notícias no quadro de cortiça à divulgação na Web, do repositório de documentos na reprografia ao repositório no Moodle, etc, etc… E o modelo, mudou? Pouco ou nada! As eventuais mudanças estarão mais relacionadas com a experiência adquirida e com a alteração consciente, do que como resultado da utilização das tecnologias.

E o título do post!? A que se deve?! Só mais um pouquinho e já lá chego. Antes tenho de tentar explicar aquilo que na minha opinião deverá ser o fito essencial de um plano tecnológico na educação e como é que as tecnologias poderão valorizar as actividades de aprendizagem. Sem dúvida influenciado pela frequência do mestrado Multimédia em Educação e, principalmente, pelas cadeiras do Carlos Santos, hoje, a minha concepção sobre a utilização das tecnologias educativas é diferente. As tecnologias não devem servir apenas de suporte à leccionação. O ambiente digital deverá ser, ele próprio, o meio da própria actividade de aprendizagem. A tecnologia na sala de aula não deve, nem pode estar só do lado do professor. O efeito de motivação que as novidades tecnológicas podem ter nas aprendizagens diluem-se rapidamente, se estas não estiverem do lado correcto: o do aluno. Mas só isso não é suficiente. É necessário que a comunicação se faça também nesse meio e que se “traga” para a aula todas as interacções que aí são possíveis e que de alguma forma podem contribuir para alargar uma comunidade que poderá ser tanto mais efectiva nas aprendizagens individuais, quanto maior for a sua dimensão. Só assim pode ocorrer a tal “imersão” a que me referi acima. Mas para esta ocorrer é necessário que as actividades o permitam, ou melhor, o promovam. Isto implica, de alguma forma, uma alteração nos modelos de ensino. Ora cá estou eu a chegar ao busílis da questão.

Quando, este ano, tenho procurado definir estratégias com esse objectivo, os condicionalismos começam a estreitá-las, por vezes tanto, que me vejo forçado a abandoná-las. Estratégias deste género necessitam de currículos mais flexíveis que possam permitir a adaptação a projectos parciais e que não sejam elementos causadores de pressão pela necessidade de seguir escrupulosamente programas curriculares “universais” e pela existência de exames nacionais e uma forma de avaliação desajustada. Também a organização das escolas, com salas “desenhadas” para o ensino tradicional, sem espaços alternativos, com horários e rotinas que constrangem a adopção de estratégias, contribui para que considere que aquilo que preconizo como modelo de ensino-aprendizagem ainda esteja a alguma distância de ser atingido tendo em conta aquilo que constitui a minha prática lectiva actual.

Parece-me importante que, a acompanhar esta salutar entrada das ferramentas tecnológicas nas escolas, façamos uma reflexão sobre o que, objectivamente, é necessário fazer para que elas sirvam para melhorar as práticas lectivas e concomitantemente os resultados de aprendizagens que devem, fundamentalmente, preparar cidadãos para o sucesso nesta sociedade digital.