Geração M

A partir deste post de Enrique Dans tive conhecimento de um nova designação que pretende caracterizar os jovens nascidos entre os anos de 1982 e 1998: Geração M. M de mobilidade, multimédia, multitarefa, multicanal… A designação, por si só, não acrescenta muito às características já conhecidas desta geração. O mais interessante são os dados do estudo da Pew Internet, que descrevem alguns hábitos sociais destes jovens e que me parecem muito importantes na necessidade de percebermos as formas como eles comunicam. Vale a pena dar uma vista de olhos aqui e aqui.

Anúncios

Copy… Paste

Escrevo este post manifestando uma preocupação a que já havia feito referência anteriormente. Esta preocupação prende-se com a forma como os alunos utilizam a internet como fonte bibliográfica para a realização dos trabalhos das diferentes disciplinas.

A internet como fonte deve ser encorajada. No entanto, é necessário transmitir a ideia que estamos a utilizar algo que alguém publicou, seja uma imagem, um texto, um vídeo, uma animação. Quer isto dizer que podemos utilizar o que está publicado (se o tipo de licença o não impedir), desde que façamos referência à fonte e que não o tomemos como nosso.

Na minha prática de leccionação tenho vindo a constatar a existência deste tipo de comportamento de uma forma cada vez mais generalizada e o que me parece mais grave, ainda, é o facto dos alunos não terem a noção de que se estão a apropriar de algo que não é deles. Para eles, a selecção dos materiais dos diferentes sites Web e a “transferência” para os seus trabalhos (sejam eles em formato digital ou papel) é uma actividade tão banal que não lhes parece conter qualquer tipo de ilegalidade (nem que seja do ponto de vista moral). E o comportamento está tão enrizado que, mesmo após ter tentado transmitir a ideia de que está errado, continuo a detectar alguns casos, nos trabalhos que lhes mando fazer.

Muitas vezes, e referindo-me ao nível do ensino secundário, a detecção é fácil, visto que o texto nem sequer é tratado e continua em português do Brasil, exactamente como na fonte. Outras vezes, depois de uma chamada de atenção para a necessidade de citar sempre as fontes, os alunos sentem necessidade em voltar a pesquisar tudo de novo 8com a perda de tempo que acarreta), visto não terem feito qualquer anotação sobre o endereço.

A minha análise sobre este assunto leva-me a considerar que, pelo menos ao nível do 3º ciclo do ensino básico e do secundário, não deveremos falar em plágio, na medida em que este implica uma acção intencional e consciente, o que não me parece acontecer com estes alunos. Chamemos-lhe, assim, “copy… paste” que julgo ser um rótulo que retrata bem este tipo de comportamentos.
O jornal Público de domingo passado (dia 27/01/08), fazia destaque deste assunto. A leitura do artigo permitiu-me ter consciência do tamanho do fenómeno que julgava circunscrito aos níveis mais baixos de ensino. Segundo o “Público” o problema afecta, também, o ensino superior, com a agravante de, a este nível, podermos considerar que existe intencionalidade no comportamento, chegando mesmo à encomenda e compra de trabalhos nalguns sites que já se dedicam exclusivamente a esta actividade. Preocupante!

Para finalizar, parece-me importante que comecemos a pensar que, a introdução das tecnologias da informação no ensino, desde os níveis mais baixos, deve ser acompanhada com uma preocupação em transmitir as questões que se relacionam com os direitos de autor e, com isso, a que normas deve obedecer a utilização da informação seleccionada em todos os meios (e não so no papel).