Aula 2.0, Versão Beta – Ferramentas web 2.0 no ensino

Este foi o tema da apresentação que levei ao eLearnig Day 08, do CITEVE, em Famalicão. Como referi no post anterior, a ideia era partilhar um pouco do que tenho feito, sem pretensões de apresentar modelos, mas apenas experiências. A utilização deste tipo de ferramentas nas aulas das minhas disciplinas iniciou-se no ano anterior e continuou neste ano. A experiência realizada no ano passado, permitiu-me definir um plano de actuação mais coordenado para o presente ano lectivo (ver esquema nos slides). Centrei a actividade principal numa comunidade a que chamámos “B de Biologia”, no Ning, substituindo os blogues de grupos do ano anterior. A comunidade passou a ser o espaço fundamental de interacção entre os diferentes membros da turma (e, eventualmente, de fora dela). Para já parece estar tudo a correr como planeado. A comunidade tem-se revelado dinâmica com as diferentes formas de comunicação que se foram estabelecendo e com a incorporação dos trabalhos realizados noutras ferramentas, partilhando-os com toda a comunidade.

Slides da apresentação:

Voltemos à comunicação no eLearning Day e à sua explicação. Para passar a “mensagem” de uma forma mais agradável criei uma metáfora em que a “aula 2.0, versão beta” vinha dentro de uma pequena caixa “mágica”. Para perceber esta metáfora é fundamental visualizar o vídeo feito pelos meus alunos que incluo neste post mas ao qual vou dedicar um outro post.
Na parte inicial da apresentação procurei enquadrar e justificar a utilização das ferramentas Web 2.0 nas aulas das minhas disciplinas. Posteriormente apresentei um esquema da organização da “aula 2.0” que penso transmitir, de forma fácil, a estratégia global de actuação, e passei, então, às fichas da nossa caixa que correspondiam a exemplos de actividades realizadas. Aqui optei separá-las por actividades e não por ferramentas, visto que deverá ser a definição das actividades a condicionar as ferramentas a seleccionar (o que não exclui a possibilidade e/ou necessidade de haver, também, uma adequação das primeiras às segundas).
Depois de apresentados os exemplos, o vídeo apresenta o olhar dos alunos sobre a “aula 2.0”.
Algumas considerações minhas, resultantes da minha observação do trabalho deles e não de uma avaliação formal (a realizar no final do ano lectivo) , constituem o “meu olhar”.
Por último explico o porquê da versão beta, concluindo que talvez ainda se trate de uma versão alfa. 🙂

O vídeo:

Nota: Já me esquecia de referir que a música do vídeo é original e foi composta pelo André. 🙂

Did you know?

Tomei contacto, pela primeira vez, com uma versão deste vídeo  na conferência “eLearning Lisboa” no ano passado. Como me agradou bastante, ao revê-lo decidi trazê-lo aqui esperando que possa contribuir para uma pequena reflexão…

Geração M

A partir deste post de Enrique Dans tive conhecimento de um nova designação que pretende caracterizar os jovens nascidos entre os anos de 1982 e 1998: Geração M. M de mobilidade, multimédia, multitarefa, multicanal… A designação, por si só, não acrescenta muito às características já conhecidas desta geração. O mais interessante são os dados do estudo da Pew Internet, que descrevem alguns hábitos sociais destes jovens e que me parecem muito importantes na necessidade de percebermos as formas como eles comunicam. Vale a pena dar uma vista de olhos aqui e aqui.

Mundos Virtuais

Ao ler aqui um post sobre a comunicação de Luís Pedro no seminário “eLearning 2.0”, fui parar aqui onde me despertou interesse um post sobre mundos virtuais.

Em Dezembro de 2006 entrei pela primeira vez no “Second Life“, em resposta ao desafio lançado por Carlos Santos, no âmbito do Mestrado Multimédia em Educação. Seguiram-se encontros semanais para debater informalmente alguns temas relacionados (ou não) com as disciplinas do mestrado, procurando, paralelamente, avaliar as potencialidades de utilizar esta ferramenta em contexto educativo. Nesta fase, o entusiasmo era grande e a “second” ocupou muitas horas da “first”. Surgiram outros “mundos” que fui experimentando, como o Kaneva, Entropia Universe e o Habbo. Com o passar do tempo o entusiasmo inicial foi esmorecendo, acompanhado por uma diminuição das “entradas”, justificada, também, pela falta de disponibilidade para o fazer. No entanto, ao longo deste tempo não deixei de, sempre que possível, acompanhar o que aquele grupo da UA ia fazendo no âmbito da utilização do Second Life em Educação. Recentemente, com uma disponibilidade um pouquinho maior, o Guel Salomon (o meu avatar) tem-se revelado um pouco mais activo. 🙂

Com este extenso enquadramento, estava a deixar para trás o motivo que me levou a começar a escrever este post e que se relaciona com o facto de ao ler o tal post de Gary Haye, ter ficado surpreendido com a quantidade de mundos virtuais 3D que despontaram nos últimos tempos. Para quem quiser experimentar alguns que ainda não conheça (eu também o farei, quando houver algum tempo livre), deixo de seguida uma lista.
Se quiserem acrescentar algum basta dizê-lo nos comentários. 😉

Onde se fala de universidades, alunos e tecnologias

Dois vídeos muito interessantes sobre a integração das tecnologias no ensino. O que se segue é um resumo de um documentário da Universidade do Kansas e chama-se “Academia 2.0”.

Este, mais conhecido, chama-se “A Vision of Students Today” e é realizado pelo Professor Michael Wesch, da mesma universidade.

Ciclo de vida de um post

Sempre que tenho algum tempo para ler as novidades que o Netvibes me anuncia, costumo passar pelo blogue do espanhol Enrique Dans (aconselho vivamente). Recentemente segui uma ligação para o Wired, onde tinha sido publicado um esquema que mostra o conjunto de acções que decorrem após a publicação de um post. Muito interessante. Vale a pena seguir o link.

1º Período “2.0” – Um olhar

Introdução

Devido a condicionalismos vários, no ano lectivo anterior não me foi possível implementar, na prática lectiva, algumas ideias que foram surgindo, principalmente as que se relacionam com a introdução de ferramentas com características Web 2.0. Este ano, com outras condições, decidi adoptar algumas estratégias que fossem incluindo, progressivamente, essas ferramentas.

A existência de computadores portáteis em número suficiente para os alunos das minhas turmas, projectores e quadros interactivos, a cobertura sem fios de todo o “campus” escolar e a possibilidade de utilizar um LMS (Moodle), garantiram-me as condições físicas necessárias para que as estratégias que incluíssem ferramentas tecnológicas dependessem, quase exclusivamente, do meu trabalho, dos alunos e de algumas outras condicionantes “não físicas”.

Visto este ano leccionar 3 disciplinas diferentes – Biologia 12º, Biologia e Geologia 10º e Ciências Naturais 8º – para além de actividades não lectivas bastante “absorventes”, não dispunha do tempo necessário para poder aplicar este tipo de estratégias a todas as disciplinas, pelo que optei por fazê-lo nas turmas do ensino secundário. Dada a impossibilidade de todos os alunos terem acesso à Internet a partir de casa (embora com surpresa minha, foi um pequeno número a indicar não poder fazê-lo) defini como premissa essencial que todas as actividades obrigatórias que necessitassem desse acesso só poderiam decorrer no espaço aula. Para esse fim, as aulas de 135 minutos não ocupadas com actividades experimentais revelaram-se fundamentais.

Descrição

A opção inicial foi centrar a actividade no espaço da disciplina na plataforma Moodle, disponibilizando a informação, as ligações e materiais relacionados com todas as aulas. A plataforma seria, assim, a ferramenta central da organização de apoio à disciplina.
Os sumários de todas as aulas foram aí disponibilizados (quase sempre com antecedência), bem como todos os materiais (ppt, links, acetatos, flash, instruções para actividades, conceptogramas, etc.) utilizados nas aulas.
Recorrendo à actividade “wiki” da plataforma foi proposta a elaboração colaborativa de um documento de regras de netiqueta que preparasse os alunos para interacção que se seguiria. Ainda na plataforma foram criados fóruns para discussão de assuntos das disciplinas e fóruns lúdicos e foi proposta a construção de um glossário de termos da disciplina a construir colaborativamente e ao longo de todo o ano. Pontualmente disponibilizei alguns exercícios de auto-avaliação em hotpotatoes ou utilizando as ferramentas do Moodle.

Paralelamente às actividades na plataforma foram criados blogues para cada um dos grupos de trabalho definidos no início do ano. Com o recurso a esta ferramenta pretendia que os alunos dessem alguma visibilidade aos seus trabalhos e interagissem com os restantes membros da comunidade escolar (encarregados de educação, p. ex.), ou mesmo outros fora desta. Seria uma espécie de portefólio digital, onde eram divulgados os trabalhos da disciplina. Os interessados poderão visitar o blogue de um dos grupos aqui.

A versatilidade dos blogues, permitindo incluir diferentes tipos de media e de serviços, fazem deles ferramentas poderosas para este tipo de actividade. Por isso, foi possível recorrer a outras ferramentas como por exemplo o slideshare, o youtube e o mindmeister e fazer a sua integração com o blogue.

Um olhar

Parece-me importante fazer, neste momento, uma pequena avaliação dos resultados da implementação destas estratégias, baseada apenas na minha “percepção” e no feedback fornecido pelos alunos e alguns colegas, não esquecendo todos os condicionalismos associados aos currículos, à organização das escolas e às características dos alunos.

De uma forma geral e sem fazer a distinção entre a turma de 10º ano e a de 12º ano, considero como indicadores positivos os seguintes aspectos:

  • O entusiasmo global colocado na realização das tarefas;
  • A maior participação da globalidade dos alunos;
  • As competências desenvolvidas de pesquisa na web;
  • A integração “harmoniosa” de diferentes formatos no mesmo trabalho (post);
  • A facilidade de utilização de ferramentas “novas” pelos alunos;
  • O “orgulho” que os alunos revelam pelos seus trabalhos.

A utilização destas estratégias, não foi por si só, um factor de sucesso, havendo alguns aspectos a merecerem alguma atenção futura. Os que parecem mais importantes são os seguintes:

  • A falta de referência às fontes de origem de informação;
  • As dificuldades reveladas na selecção da informação;
  • A falta de “tratamento” de alguma da informação seleccionada;
  • Alguma dispersão por outras actividades paralelas, principalmente nos alunos mais novos (10º ano);
  • A fraca participação nos fóruns pelos alunos mais velhos (12º ano);
  • A “distinção” que resulta das conversas de grupos de alunos que acedem e participam diariamente nalgumas ferramentas e aqueles que o não podem fazer (principalmente no 10º ano).

Como este post já vai longo, deixo apenas estes indicadores. Procurarei, brevemente, fazer uma reflexão sobre eles, especificando, também, algumas das actividades realizadas e a realizar.
Comentários são bem-vindos.